segunda-feira, 4 de abril de 2011

Pesquisa analisa o perfil das alunas das academias femininas

As academias de ginástica têm se multiplicado no Brasil de forma considerável, refletindo a preocupação cada vez maior da população com saúde, qualidade de vida e adequação aos padrões de beleza difundidos pelos meios de comunicação. Mas se o mercado de fitness não para de crescer, ele também vem se especializando, sobretudo no segmento da ginástica expressa, direcionada ao público feminino. Em vez de séries de exercícios que duram de uma hora a uma hora e meia, como é o habitual, circuitos para ser feitos no máximo em meia hora. A expansão destas academias pela cidade do Rio de Janeiro atraiu a atenção da professora da Universidade Gama Filho UGF), Ludmila Mourão, que se propôs estudar o perfil das frequentadoras, tendo como foco de análise as experiências de mulheres mais velhas e de hábitos sedentários, que formam a maioria da clientela. A pesquisa tem o apoio da FAPERJ, através da modalidade Auxílio à Pesquisa (APQ 1).

Ludmila Mourão delimitou sua pesquisa em 12 academias da zona sul do Rio de Janeiro e selecionou clientes entre 35 e 55 anos, com no mínimo seis meses de adesão. As entrevistas visavam determinar as motivações, as expectativas e as experiências dessas mulheres, que, anteriormente, se mostravam resistentes à prática de atividades físicas. "Embora as academias femininas absorvam mulheres de diversas faixas etárias e com motivações e características socioeconômicas variadas, a pesquisa tem revelado que há um perfil predominante entre as frequentadoras: em geral, são mulheres acima de 35 anos e que nunca tinham praticado atividade física regular. Estão fora de forma, porque não tiveram tempo, condição, oportunidade e motivação para cuidar do corpo e por isso se sentiriam constrangidas em frequentar as academias tradicionais, que se tornaram espaços de culto à beleza. Elas têm uma relação tensa com a atividade física", explica. Por isso mesmo, nada mais natural que procurassem um espaço diferenciado, onde pudessem ficar à vontade, com maior intimidade e liberdade. "Aliás, a tendência de segmentação não é um fenômeno voltado apenas às mulheres, mas que, nesse ramo, já fez surgir academias para pessoas da terceira idade e até para crianças."

Segundo a pesquisadora, a escolha por uma academia feminina, em geral, é também influenciada por amigas, que destacam as vantagens oferecidas para quem tem receio de encarar uma academia tradicional. Para Ludmila, a grande maioria dessas mulheres são levadas a se exercitar por necessidade, não por senso de prevenção. "Este é um dado diferenciador importante", explica a pesquisadora. Como ela explica, essa tem sido a principal motivação para tantas mulheres aderirem à atividade física em academias exclusivas. "Embora todos saibam da sua importância, a maioria não gosta de fazer exercícios voluntariamente. Porém, como há uma pressão social cada vez maior, as pessoas ficam se sentindo culpadas por não se exercitarem." Segundo a pesquisadora, essas mulheres costumam ser motivadas por algum alerta médico, como histórico médico de colesterol elevado, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, dores na coluna, lesões diversas, estresse e problemas do gênero.

Além disso, o surgimento de academias exclusivamente femininas ajudou a remover muitas barreiras que se impunham às mulheres que desejavam se exercitar. "Elas não costumam ser estimuladas para a prática da atividade física. Os maridos têm certa resistência que elas frequentem uma academia mista. Não se pode afirmar que eles tentem impor o tipo de academia em que elas devem se exercitar, mas preferem claramente que as esposas vão àquelas exclusivamente femininas."

De acordo com Ludmila, as mulheres foram por longo tempo excluídas das atividades físicas e esportivas, consideradas biologicamente inaptas às atividades atléticas. "Seu papel na sociedade era muito bem definido, sem lugar para outras práticas que não aquelas socialmente consolidadas, de esposa, mãe e dona de casa. Isso começou a mudar no governo Vargas. O marco de uma maior aceitação feminina num ambiente exclusivamente masculino foram os Jogos da Primavera dos anos 1950, quando se passou a permitir sua participação." Segundo a pesquisadora, a adesão cada vez maior de mulheres às práticas físicas e esportivas ao longo do tempo envolveu concepções sociais e biomédicas sobre a especificidade biológica do corpo feminino. "Se antes as mulheres eram desestimuladas de se dedicarem às atividades físicas, hoje, são incentivadas e dispõem, inclusive, de ambientes só para elas."

Academias femininas: ênfase no ambiente e nos resultados imediatos

No Brasil, as primeiras academias voltadas exclusivamente para as mulheres apareceram no ano 2000. Em comum, elas promovem o treinamento de trinta minutos, alternando atividades cardiovasculares e de fortalecimento muscular. Os aparelhos são hidráulicos, sem peso adicional, dispostos de modo a formar um circuito (circuit training), que deve ser completado a cada sessão. Funcionam em um estúdio sem espelhos, exceto nos vestiários. "A ausência de espelhos contribui para evitar inibições e principalmente comparações em relação ao corpo das frequentadoras", explica Ludmila. Essas academias oferecem ainda outros atrativos, como caminhadas, aulas especiais em espaço aberto, festas e eventos. E se distinguem também pela construção de uma rede social entre estas mulheres", acrescenta.

Segundo a pesquisadora, as entrevistadas têm demonstrado satisfação com os resultados obtidos nas academias expressas. "A grande maioria avalia como positiva essas academias e relata uma série de melhoras, como maior bem-estar e disposição para enfrentar o cotidiano, mudanças no humor, que é muito recorrente como queixa.

A questão estética está presente, naturalmente, mas só vem depois, quando elas já desenvolveram o gosto pela prática." Para Ludmila, algumas entrevistadas pretendem ir além: "Com o tempo, ao constatar a redução do peso e principalmente a melhora em seu condicionamento físico e em sua saúde, algumas delas até manifestaram o desejo de ir para uma academia mista, mais puxada, com aparelhos de maior peso, que exigem esforço maior. Pelo que percebemos, estar entre iguais, cuidar da saúde e da beleza em apenas trinta minutos tem ajudado esse público específico, alavancando o fitness express e democratizando diferentes práticas de condicionamento físico para pessoas que nunca haviam se interessado por essas práticas", conclui.

Por Lécio Augusto Ramos
Temos como intuito postar notícias relevantes que foram divulgadas pela mídia e são de interesse do curso abordado neste blog. E por isso esta matéria foi retirada na íntegra da fonte acima citada, portanto, pertencem a ela todos os créditos autorais.

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