quinta-feira, 28 de abril de 2011

Mesmo na infância é possível fazer exercícios de força, indicam pesquisadores


Diz o senso comum que as crianças que exigem demais dos músculos ficam baixinhas, como as ginastas olímpicas, mas isso não é bem assim. Uma revisão científica recém-publicada pela revista americana Pediatrics mostrou que exercícios de força para crianças e adolescentes são benéficos e seguros – desde que sejam respeitadas as capacidades e limitações da idade. Estudos anteriores sugeriram que antes da maturação sexual não havia sentido em fazer exercícios de força, uma vez que a criança não teria produção suficiente de hormônios para impulsionar o crescimento dos músculos. 

Isso é parcialmente verdade. Por mais que se exercitem, crianças menores não ficam musculosas. Mas os pesquisadores já perceberam, também, que exercícios com pesos leves promovem ganho de força bem antes da puberdade. E não são prejudiciais. “Os riscos associados ao treino de força não são maiores que em outros esportes”, diz o pesquisador Avery Faigenbaum, professor de ciência do exercício em Nova Jersey. “A chave para um treino seguro é que haja supervisão qualificada, ambiente adequado e instruções de acordo com a idade.”

Antes disso, porém, cabe a pergunta: faz bem para a criança ficar mais forte? “Faz muito bem para a postura”, diz Lauri Blair, treinador de levantamento de peso do Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo. Blair, que já formou vários atletas mirins na modalidade, diz que o levantamento de peso trabalha força, potência, equilíbrio, flexibilidade e coordenação motora. E indica esse tipo de exercício para meninos e meninas. “Os movimentos são simétricos e não provocam torções no tronco, como outros esportes que as crianças praticam”, diz. Um de seus alunos, Tauan Carlos Leão Silva, de apenas 10 anos de idade e 30 quilos, parece ter nascido para levantar pesos. Em apenas dois meses de treinos diários, exibe uma técnica admirável para tirar do chão uma barra com anilhas de madeira com 20 quilos e erguê-la acima da cabeça. Diz que quer ser campeão como o pai, atleta da modalidade.


A Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME) recomenda que as crianças façam atividades físicas diariamente. Exercícios ajudam a prevenir obesidade e doenças cardiovasculares na vida adulta. Mesmo quando doentes, as crianças não devem ficar paradas. “São raras as contraindicações absolutas ao exercício”, diz um documento da SBME. Na adolescência, as atividades intensas que envolvam impacto são importantes para aumentar a massa óssea e reduzir o risco de osteoporose mais tarde. Ficar só na natação, portanto, não é uma decisão acertada, pois na água não há impacto. Mas o ideal é se exercitar sem exageros. Transformar a criança em atleta antes dos 10 anos é quase sempre um equívoco. “Uma rotina exaustiva de treinos dificilmente faz a criança feliz”, diz Ana Célia Osso, coordenadora do Centro de Aprendizagem Desportivo do Clube Pinheiros. Além disso, antes da puberdade o corpo ainda não manifesta seu potencial real. “As características genéticas que favorecem determinadas habilidades só se manifestam depois da maturação sexual”, afirma o fisiologista Paulo Zogaib.

Que atividade física as crianças deveriam praticar então? Se possível, todas, dizem os especialistas. Mas sem se especializar em nenhuma. “É importante que a criança crie memória motora”, diz Zogaib. Ela deve experimentar movimentos variados e adquirir habilidades diversas. A melhor maneira de conseguir isso é fazendo o que elas mais sabem: brincar.

Caminhar, correr, pular, lançar, chutar, esquivar-se, cair e se levantar, puxar e empurrar são movimentos naturais da criança – e extremamente importantes para seu desenvolvimento. Na Boobambu, uma academia infantil em Brasília, crianças de 6 semanas a 8 anos, separadas por faixa etária, brincam de exercitar o corpo. Clara Patriota, de 1 ano e 1 mês, faz aulas de ginástica para bebês desde os 7 meses, com a mãe, Gabryelle. Rampas, túneis e almofadas de formatos variados servem de obstáculos que as crianças transpõem. “Desde que ela estava na barriga eu a estimulo”, diz Gabryelle, psicoterapeuta musical. “Mas eu não poderia estimulá-la da mesma forma em casa. Aqui, o desenvolvimento dela é gritante.”

Temos como intuito postar notícias relevantes que foram divulgadas pela mídia e são de interesse do curso abordado neste blog. E por isso esta matéria foi retirada na íntegra da fonte acima citada, portanto, pertencem a ela todos os créditos autorais.

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