sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Atividade física e boa alimentação contra os efeitos colaterais do tratamento da Aids

Os avanços no tratamento da Aids são comemorados pelos profissionais de saúde. Mas eles reconhecem que ainda há efeitos colaterais. “É impossível você entrar numa casa, matar os bandidos que estão dentro da casa sem lesar nenhum móvel nem nada”, compara o médico Anastácio Queiroz. Apesar disso, atualmente já existem estratégias para minimizar os efeitos.

Alguns são temporários, como náuseas, vômitos, diarreia e azia, que surgem com frequência no início ou troca de medicação. Outros são permanentes, como o aparecimento de alterações anatômicas e metabólicas. Para os efeitos temporários, a mudança dos remédios e o equilíbrio na alimentação podem ajudar. Os efeitos metabólicos preocupam mais os médicos. A Síndrome Lipodistrófica, por exemplo, altera a estética do corpo.

O paciente perde gordura em algumas partes (lipoatrofia), como no rosto, ou acumula em outras (lipohipertrofia), como nas costas e no abdome. “Alguns remédios estão mais relacionados com isso e a gente tenta evitá-los. Mas o próprio vírus também está relacionado. Achar que não tomar remédio vai lhe prevenir disso não é verdade”, alerta o médico Érico Arruda.

Já existem técnicas simples de preenchimento facial, com uma substância chamada metacrilato. Para o restante do corpo, atividades físicas podem contribuir. “Isso mantém o metabolismo do organismo mais próximo do desejado. E acaba levando a uma hipertrofia muscular, em algumas regiões, que pode superar aquela pequena diminuição de gordura que a pessoa possa vir a ter”, explica.

Outro efeito adverso é a dislipidemia. Os medicamentos aumentam a quantidade de colesterol e triglicerídeos no sangue. A taxa de glicose também pode se elevar. Por isso, a incidência de eventos coronários, de acordo com o médico Anastácio Queiroz, é bem maior em pessoas com HIV. Esse efeito, no entanto, é mais fácil controlar, segundo os profissionais de saúde.

Antes mesmo do HIV, já existiam medicações para controlar essas taxas. A boa alimentação, de acordo com a nutricionista Alice Camelo Ponte, gerente do serviço de nutrição do Hospital São José, também é aliada na hora de controlar os altos índices de colesterol, triglicerídeos e glicose no sangue. “Quem tem HIV não pode abusar de gordura nem de frituras. O ideal é comer de três em três horas e comer muitas frutas. Cinco vezes ao dia, pelo menos”, orienta a nutricionista.

Números>

100 mil
É a estimativa de novas infecções por HIV ao ano na América Latina, desde 2001. Mas a epidemia está estabilizada, com prevalência de 0.4, de acordo com o Ministério da Saúde. O relatório também apontou que as mortes relacionadas à aids estão em declínio, por conta do acesso cada vez maior à terapia antirretroviral.

1,5 milhão
É o número de pessoas vivendo com HIV no continente latino-americano. Em 2001, o número era de 1,3 milhão. O aumento, no entanto, de acordo com o diretor da Unaids, deve-se basicamente à eficiência do diagnóstico precoce.

Saiba mais

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento antirretroviral a 97% dos brasileiros diagnosticados com aids, de acordo com relatório divulgado pela Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIVAids)

No estudo apresentado, a Unaids apontou que o modelo brasileiro de prevenção do HIV e assistência brasileiro é um dos melhores do mundo, sobretudo no tratamento a populações mais vulneráveis.

O documento analisa dados sobre mortalidade e aporte de recursos para conter o avanço da aids no mundo. Também mostra que o Brasil tem investido de forma adequada nos mecanismos de prevenção e tratamento do HIVAids.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou: “Apesar de as pesquisas indicarem que 95% das pessoas têm consciência que a camisinha é a melhor maneira de se prevenir da Aids e de outras DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), temos de estimular a população a colocar esse cuidado em prática”.

A Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas Relacionadas às DST e Aids (PCAP 2008) mostrou que, entre os jovens de 15 a 24 anos, o uso da camisinha cai de 61% na primeira relação para 50% nas relações sexuais com parceiros casuais.

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